Chefes de Estados africanos reúnem-se, em Junho deste ano, no Senegal, para analisar questões sobre solos e acesso aos fertilizantes.

Segundo a comissária para a Economia Rural e Agricultura da União Africana, Josefa Sacko, a Cimeira de Chefes de Estados deverá analisar o modo como os solos são utilizados na agricultura em África, assim como o fornecimento e a venda de fertilizantes aos camponeses a preços acessíveis.
Sobre os solos, Josefa Sacko disse ainda que estão a ser muito usados, mas sem tratamento, durante a entrevista na imprensa pública, na qual falou também sobre o alívio da fome em África até final do primeiro semestre deste ano, informou que o continente adquire grande parte dos seus fertilizantes da Rússia, país em guerra com a Ucrânia desde Fevereiro de 2022.
A responsável afirmou que África usa, nesta altura, uma média de 18 quilogramas de fertilizantes por hectare, mas, em 2006, em Abuja (Nigéria), numa cimeira extraordinária da UA, designada ‘Abuja 1’, os Chefes de Estados africanos decidiram-se a chegar até 50 por hectare, “infelizmente sem sucesso”.
“Abuja 1 tem a Declaração de Abuja, que previa até 2030 podermos aumentar a utilização de fertilizantes a 50 quilogramas por hectare. Até hoje fizemos avaliação e concluímos que África só utiliza 18 /hectare. Isso não aumenta a produtividade nem garante a segurança alimentar. São esses os factores para os quais temos de olhar e acelerar, se quisermos ter a soberania alimentar”, realçou.
A propósito da mitigação dos efeitos da guerra Rússia/Ucrânia, que provocou a redução de exportação de cereais para o continente africano, afirmou que, em resposta, a UA recebeu do BAD, em Maio de 2022, 1,5 mil milhões de dólares, para financiar a produção de cereais em África e que os resultados serão visíveis até final do primeiro semestre de 2023.
Esta iniciativa, que culminou com o financiamento do BAD, foi aprovada pelo presidente da UA, Macky Sall, e é um plano de emergência para a produção de cereais que está em vigor. Os países africanos já começaram a beneficiar.
Para além da ajuda do BAD, a diplomata disse que a UA beneficiou de um apoio do Banco Mundial (BM), avaliado em USD 3,4 mil milhões, visando o combate às alterações climáticas, sobretudo a seca, e a garantia da resiliência alimentar – um montante destinado às sub-regiões da África do Oriental e África Austral, cujos projectos vão ser monitorados pela organização.
África depende em 30% do trigo produzido pela Rússia e pela Ucrânia. O conflito entre os dois países afectou o fornecimento de trigo, óleo de girassol e de milho, principalmente no Egipto, Argélia, Nigéria, África do Sul, Sudão, Tanzânia e Quénia.
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