Depois de um ano de crescimento em Angola, os produtores de vinho portugueses encaram 2023 com pessimismo devido à desvalorização do kwanza, antecipando “um desastre” nas vendas face à inflação e diminuição do poder de compra. Noticiou a LUSA.

Em entrevista ao órgão acima citado, alguns responsáveis assumiram estar preocupados com a acentuada queda da moeda angolana, o que obrigou já a aumentar os preços.
Depois de um 2022 positivo, em que as exportações de vinho para Angola duplicaram em valor, para cerca de 50 milhões de euros, a perspetiva agora é de margens a encolher e a ter prejuízos.
Edgar Sousa, diretor-geral da Vinus (filial da Sogrape em Angola), explicou que a empresa teve um crescimento significativo em 2022, de 20% em valor, mas admite que “vai haver uma quebra muito forte nos próximos meses se a situação não se reverter”.
“A rapidez com que tudo está a acontecer torna a adaptação ainda mais complicada e o aumento de preços tende a refletir-se desde já nas prateleiras dos supermercados, garrafeiras e restaurantes”, frisou.
Nuno Moinhos, da Angonabeiro, subsidiária do grupo Nabeiro em Angola que além de cafés, produz também os vinhos da Adega Mayor, adiantou que as vendas aumentaram cerca de 12% no ano passado, mas neste momento a situação é de “grande expectativa”.
“Vamos ver até onde é que a situação cambial vai evoluir, isso provoca obviamente algum stress momentâneo e vamos ter de o gerir”, disse, sublinhando que o objetivo é “não tomar medidas excessivamente conservadoras nem excessivamente radicais”.
Por outro lado, reconhece que, apesar da empresa já ter feito “alguns ajustes no preço”, vai ser necessário “um ajuste mais radical”, na ordem dos 30 a 40%.
Na semana passada, mais de 30 produtores de dez regiões vinícolas portuguesas apresentaram em Luanda quase 300 marcas de vinho na “Grande Prova” organizada pela Viniportugal.
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