A comissária da União Africana (UA), Josefa Correia Sacko, disse hoje,29, em Roma, que a África precisa desenvolver os processos de produção agrícolas por meio da utilização de máquinas, para aumentar a produtividade económica, reduzir as perdas pós-colheita e atender à crescente demanda por alimentos.

De acordo a Angop, a diplomata, fez esta observação durante a conferência global sobre a mecanização para sistemas agro-alimentares sustentáveis, promovida pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), com o objectivo de impulsionar rapidamente a transformação da agricultura.
Disse ainda que a África está em último lugar entre os cinco continentes, em termos de agricultura mecanizada, comparado com a América do Norte e Europa que são totalmente mecanizadas.
“A compreensão de que a duplicação da produtividade agrícola e a eliminação da fome e da desnutrição na África até 2025, conforme consagrado na Declaração de Malabo, não serão alcançadas, a menos que a mecanização receba a maior importância”, referiu.
Josefa Sacko disse que, para acautelar a situação actual, a UA e a FAO desenvolveram, por meio de um processo consultivo, Estrutura para Mecanização Agrícola Sustentável na África (F-SAMA), em resposta à solicitação do Comité Técnico Especializado (CTE) da União Africana sobre Agricultura, Desenvolvimento Rural, Água e Meio Ambiente.
Acrescentou que a Declaração de Malabo, de 2014, permitiu identificar a mecanização agrícola como um factor essencial para o dobrar dos níveis de produtividade agrícola até 2025, bem como a criar e aprimorar políticas, instituições e sistemas de apoio adequados para facilitar a mecanização e o fornecimento de energia confiáveis e acessíveis.
A FAO apoiou 10 Estados-Membros da UA (Benin, Tchad, Ghana, Libéria, Mali, Serra Leoa, Tanzânia, Togo e Zâmbia) a formular ou revisar estratégias nacionais de mecanização agrícola sustentável com base na F-SAMA.
“A mecanização no século XXI deve ser construída ao longo de toda a cadeia de valor agrícola, ela deve ser orientada pelo sector privado, compatível com o meio ambiente e inteligente em relação ao clima. Também deve ser economicamente viável e acessível, especialmente para os pequenos agricultores, que constituem a maior parte dos agricultores africanos”, sublinhou.
Recordou que desde a Cúpula da Alimentação das Nações Unidas, em 2021, a transformação dos sistemas agro-alimentares tem sido uma prioridade na agenda política para atingir os objectivos de desenvolvimento sustentável até 2030, contando, para tal com as inovações, incluindo a mecanização agrícola, que estão a se espalhar rapidamente no Sul do continente, mudando, fundamentalmente, o carácter dos sistemas agro-alimentares.
Dados compilados pela FAO, em 2018, estimam que apenas cerca de 10 por cento dos agricultores em África usam tractores.
Views: 6









Deixe um comentário