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Namibiano quer criar em Angola maior parque de safaris privado em África

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Redacção_E.Rural
Dezembro 30, 2023
Namibiano quer criar em Angola maior parque de safaris privado em África

Encostada à Namíbia, nascia há dez anos a única reserva privada de vida selvagem em Angola, idealizada pelo namibiano Stefan Van Wyk, que quer tornar o Cuatir no maior parque africano privado de safaris.

Fotografia: DR

Nascido em Windhoek (capital da Namíbia) há 53 anos, o conservacionista descobriu o Cuatir em 2012 quando sobrevoava a área com uma avioneta e apaixonou-se pela solidão do local e pela total ausência de vestígios humanos, iniciando logo a seguir o processo para formalizar uma concessão.

Naquela ilha, uma extensa área encaixada entre os rios Cubango e Cuito, a cerca de 1.500 quilómetros da capital angolana, o cenário é o da típica savana africana: uma vastidão de capim, que serve de pasto e esconderijo aos animais, espraiando-se até à linha do horizonte, acompanhada do chilrear alegre das espécies de aves que por ali abundam e o zumbido dos insetos.

Palancas vermelhas, nunces, olongos e kudus são algumas das espécies de antílopes que se podem encontrar por ali, desfrutando de 40 mil hectares de liberdade.

Mas há também outros mamíferos como zebras, girafas, mabecos e até chitas, que deixam os seus vestígios no terreno e são “apanhados” nas câmaras fotográficas estrategicamente colocadas junto dos bebedouros, apesar de permanecerem normalmente invisíveis para os visitantes.

É aqui que Stefan instalou a sua base, com uma área de campismo e seis bungalows despojados, aptos para poder receber turistas e cientistas que têm investigado a vida selvagem neste projeto de conservação, onde estão contabilizadas 32 espécies de mamíferos, 112 de aves e 24 espécies de árvores.

Às primeiras horas da manhã observam-se nas proximidades do acampamento pequenos grupos de impalas, nunces e kudus, bem como visões fugazes de umas tímidas girafas, mas nada dos esquivos felinos, que preferem a noite para caçar.

Foi em 2020 que o namibiano começou a reintroduzir no Cuatir espécies que tinham desaparecido com a guerra, como a girafa e a zebra e que se readaptaram rapidamente ao habitat que lhes é natural.

Para 2024, está prevista a chegada de uma manada de 16 elefantes provenientes da Namíbia, uma operação complexa que obriga, além do licenciamento, captura e transporte dos animais, a alargar a vedação para que não regressem ao seu país de origem.

Parece que têm GPS”, brinca Stefan van Wyk, salientando que, no tempo colonial, Cuatir era a zona de Angola com mais elefantes.

Só que durante a guerra civil, que durou quase três décadas até 2002, a área foi ocupada pela União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que usava os animais para comer e se manter operacional, trocando o marfim por armas.

“Queremos repovoar a área com elefantes para contribuir para a riqueza do Cuando Cubango (província angolana do sul), para o povo ter um futuro no ecoturismo”, diz o empresário, que recebe normalmente os turistas por via aérea.

Distante de tudo, os acessos por estrada são difíceis e é necessário perder pelo menos um dia para quem quiser chegar por esta via a partir de Luanda. Parte do caminho — que inclui uma travessia em jangada — segue por uma picada que pede carros robustos e corpos disponíveis para aguentar a “tareia”.

Stefan van Wyk quer alargar a reserva privada — a única em Angola — para os 200 mil hectares para ter área suficiente para animais de grande porte, como elefantes e búfalos, e transformar o Cuatir no maior parque de safaris sob gestão privada em África.

A África do Sul tem o Tswualu, acho que com 100 mil hectares, Namibia tem Erindi, com 70 mil hectares, e este vai ser o maior parque privado em África para ecoturismo”, ambiciona, frisando que a província angolana do Cuando Cubango é a mais adequada à vida selvagem, graças à extensa mancha florestal e ao regime de chuvas.

Temos sorte porque esta área não vale nada para a agricultura, o solo [não é bom] por causa da areia, por isso esta área está disponível para os animais selvagens e os animais podem trazer turismo, oportunidades para criar empregos nesta área de Angola”, realça.

A abundância faunística contrasta com a ausência de aldeias. Além das esparsas comunidades Nganguela e Camussequele (San), poucos são os vestígios da presença humana.

Stefan tem vindo a recrutar e a empregar alguns destes aldeãos na cozinha e em trabalhos domésticos, outros como vigilantes, para afastar caçadores furtivos, e outros servindo de guias, como é o caso de Camussequele Massada, cujo olhar treinado encontra facilmente os trilhos frescos de animais, garantindo-lhe um rendimento extra para a sua família.

O empresário considera que Angola ainda não está preparada para o turismo, apesar de ter eliminado já um dos obstáculos, com o fim da exigência de vistos.

Mas falta, por exemplo, formalizar os postos de entrada nos aeroportos de Menongue e Cuito Cuanavale, afirma, sublinhando que, tal como a Jamba, locais ligados a guerra civil angolana, “vão ser importantes” para o turismo.

Acho que o turismo pode contribuir muito para a economia de Angola, neste momento entram poucos turistas (…) e as viagens autónomas não trazem muito dinheiro para o país, queremos ajudar a nossa economia e nosso povo nessa área”, diz.

Por agora, são sobretudo turistas estrangeiros, do Reino Unido, dos Estados Unidos, da Bélgica, espanhóis e alguns portugueses, que procuram o Cuatir, em busca de “um sítio bonito” onde possam fazer uma pausa curta antes do próximo destino exótico.

Mas há também ameaças ao desenvolvimento turístico na região, aponta Stefan: “ouvi dizer que o Governo tem planos para fazer prospeção de petróleo nessa área e os madeireiros são talvez a maior ameaça, acabam com as árvores e cortam milhares de toneladas por ano”, diz, referindo-se às valiosas madeiras de mussivi e girassonde que, por enquanto, abundam naquelas paragens.

A caça furtiva é outro risco para a conservação da natureza nesta área onde os animais só começaram a regressar há cinco anos, alerta o conservacionista.

Com planos para criar mais um acampamento em janeiro e construir casas na árvore junto de um miradouro onde os turistas podem apreciar a beleza do pôr-do-sol africano, Stefan garante que vai continuar a receber grupos pequenos, com um máximo de dez pessoas, porque é “uma experiência privada”.

Em 2024, quer reforçar o marketing fora do país para começar a atrair mais turistas, destacando a sua importância para a economia angolana: “vai ser um grande benefício”.

Publicado pela lusa

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Palanca Negra Gigante, património natural da UNESCO

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