Um poema profético e actualizado de geração a geração

Actualmente, o sujeito poético almeja o mesmo desejo de muitos angolanos.
A diversificação da economia rural passa também pelas nossas terras
vermelhas do café
brancas do algodão
verdes dos milharais
havemos de voltar
Se tivéssemos a consciência de Neto, nesta altura, talvez seriamos auto-suficiência alimentar para satisfazer as necessidades de consumo da nossa população.
De lá para cá, desde os escritos do havemos de voltar, voltamos timidamente e nos tornamos auto- suficientes em seis produtos como a mandioca, batata-doce, banana, ananás, ovos e a carne de cabrito, são suficientes para satisfazer as necessidades do mercado nacional, sem recorrer à importação, facto que torna o país autónomo na produção e distribuição destes bens.
“havemos de voltar” o Poema
Às casas, às nossas lavras
às praias, aos nossos campos
havemos de voltar
Às nossas terras
vermelhas do café
brancas do algodão
verdes dos milharais
havemos de voltar
Às nossas minas de diamantes
ouro, cobre, de petróleo
havemos de voltar
Aos nossos rios, nossos lagos
às montanhas, às florestas
havemos de voltar
À frescura da mulemba
às nossas tradições
aos ritmos e às fogueiras
havemos de voltar
À marimba e ao quissangue
ao nosso carnaval
havemos de voltar
À bela pátria angolana
nossa terra, nossa mãe
havemos de voltar
Havemos de voltar
À Angola libertada
Angola independente
Cadeia do Aljube de Lisboa
Outubro de1960
in “Sagrada Esperança”, Agostinho Neto, Obra Poética Completa, página 115
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