A ausência prolongada de chuvas, que se verifica no presente ano, em quase toda a província do Cunene, é uma ameaça às colheitas de cereais da campanha agrícola 2022/2023.

Em declaração à ANGOP na terça-feira (21), o soba da localidade de Onakanda, Kacumo Kanhuku, disse que com a falta de chuva haverá impacto negativo nas culturas onde os campos estão a ficar secos.
Afirmou que os camponeses trabalharam, os produtos na lavra germinaram e atingiram “uma certa altura”, mas o sol intenso está de forma gradual a provocar o stress hídrico nas plantas.
Com mil e 316 famílias controladas na sua comunidade referiu que “a chuva este ano tem caído muito pouco” e na altura em que muitos começaram a semear massango desapareceu.
O soba, Kacumo Kanhuku,esclareceu que as chuvas caíram bem no mês de Janeiro, já em Fevereiro não houve um único dia com registo de chuvas, e agora em Março muitos não conseguiram concluir o processo de lavoura e os que conseguiram, actualmente o mantimento está a secar.
Apesar desta situação, disse, caso as chuvas retomarem nos próximos dias, terão aproveitamento do massango e massambala, enquanto o que estava a florir já secou e não há esperança de colheita.
Por seu turno, o soba de Epangolo, comunidade com 894 famílias, Júlio Neepange, disse que a falta de chuva e as consequências que dela se esperam dominam as conversas da população que vive do campo.
A autoridade do poder local afirmou que a campanha agrícola na sua localidade está ameaçada e se não chover dentro de dias nenhum camponês vai colher, porque diariamente é confrontado com famílias que passam informação de que os produtos estão a secar no campo.
Por seu turno, o director da Agricultura, Pecuária e Pescas no Cunene, Carlos Ndanyengondunge, reconhece o impacto negativo da estiagem, mas rejeita tirar já conclusões da campanha agrícola em curso.
Disse que a avaliação de momento é normal, atendendo à preparação de terra e as chuvas que caíram num momento não esperado por parte dos agricultores.
Estão envolvidas na campanha agrícola de 2022/2023, 160 mil e 30 famílias, cifra superior às 147 mil e 21 que participaram na anterior, onde 85 por cento da produção agrícola é proveniente do sector familiar.
Se as condições climatéricas caírem dentro dos padrões poderá perspectivar-se uma colheita de mais de 500 mil toneladas de produtos diversos.
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